Defequem ideias à vontade

segunda-feira, março 07, 2005

Deus Cagou-se!

As minhas mais humildes saudações.
Ao postar este texto depois de tamanha prisão de ventre (já lá vão dois meses), sinto-me como um urso, que depois da hibernação, tem que cagar uma rolha de ervas ingerida meses e meses antes, e que deve transmitir uma dor quase equiparável a dar à luz um bebé rinoceronte pela cavidade rectal.
Estava eu a ver o telejornal da noite, quando pelo examinar das notícias e do Mundo que relatam, me apercebi da descoberta que vai mudar para sempre este blog: Deus foi o primeiro pensador excremental!
Eu sei, parece impossível, mas é a única explicação para o estado deste planeta. Deus criou o Universo na casa de banho! Ao tentar espremer-se em ideias para galáxias e coisas sem fim, purgou do seu corpo divino a terra, e desde então que estamos a pairar em volta do sol, à espera que puxem o autocolismo. Esta iluminação deu azo a um novo espaço da blogosfera, em que postarei assuntos relacionados com o divino e com a bela merda que fazemos a esse respeito. Para os mais distraídos que não viram o link na blogaria aqui vai: ( http://sedeusexiste.blogspot.com/ )
Agora vou cagar, pensar nas consequências que esta descoberta provocará na humanidade, e abrigar-me do raio cósmico que virá concerteza depois das palavras proferidas. Se ELE existir, é claro.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

VAMOS A VOTOS

Fiz tripas coração para me conter a vir aqui comentar o acto eleitoral que se avizinha, bem como a forma como a pré-campanha decorreu e a campanha eleitoral está a decorrer.
No entanto, tanta balbúrdia, mexeu, sem dó nem piedade, com o meu intestino. Agitou de tal forma as minhas entranhas que acabou por funcionar como um laxante, como um verdadeiro clister, capaz de desobstruir o intestino mais preguiçoso.

Por conseguinte, aqui venho, numa verdadeira aflição intestinal, completamente apertadinha, não para apelar ao voto neste ou naquele partido, não para falar das minhas inclinações partidárias, mas para falar na necessidade de ir VOTAR.

Contentes ou não com o desempenho do partido que se encontra no governo (mesmo que em gestão), no partido que já esteve no governo, nos partidos que nunca chegaram a estar no governo, é importante ir votar.

Mesmo que seja um voto em branco, o facto de cumprir com o acto eleitoral é fundamental para exprimir aquilo que sentimos face àqueles que geriram, gerem ou pretendem vir a gerir o nosso destino.

Não podemos deixar de dizer aquilo que pensamos, ou sentimos, e o voto é o meio pelo qual a nossa opinião é transmitida. Desenganem-se aqueles que pensam que ir votar, ou não, é a mesma coisa.

Não, a situação não é igual, nem tão pouco a mesma coisa (esta da mesma coisa tem muito que se lhe diga, podia sobre isto citar o meu sábio irmão, mas tinha de dar muitas explicações, o que agora não faz sentido); pois votando estamos a dizer o que queremos ou o que não queremos, não deixando a outros a tarefa de o fazer por nós.

Para aqueles que não têm vontade de votar em partido algum, ou não sabem em qual votar, porque não se identificam com nenhum partido, é preciso salientar a importância do voto em branco.

O voto em branco significa que a pessoa se encontra descontente com a política feita até aqui, seja ela desempenhada por que partido for. Significa que a pessoa, o cidadão, não se demite do seu papel em sociedade, porque, desta forma, transmite uma clara opinião de descontentamento, de verdadeiro desagrado, de alerta para que a classe política repense o seu modo de estar e de agir.

Como diriam os árbitros, um verdadeiro cartão vermelho ao comportamento político!!!

Sinceramente, votar deve ser encarado como ir à casa de banho; ou seja, não queremos lá ir, por vezes até queremos que alguém vá por nós, mas no fim acabamos por lá ir, porque ninguém pode cagar por nós, isto é, ninguém pode opinar/votar por nós.

Cada um vale pelo indivíduo que é, vale por aquilo que cada um em si representa, logo ninguém pode votar por nós. O indivíduo não pode deixar-se ir na onda, não pode deixar que a sua opinião seja dada por outros. Em suma, não pode ser “uma Maria vai com as outras”, domingo vamos votar!!!

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Viva os Blogs

Estava eu passando uma vista de olhos p’los diversos blog’s que costumo visitar, quando, de repente, um post de um patrício blogueiro, de seu nome Eduardo, me despertou uma vontade incontrolável de vir aki tecer algumas cagadelas sobre blogs.

Ora, e baseando-me nos posts “A propósito...” e “De passagem e de visita”, do blog http://www.edmais.com/gostosnsd/, o qual aqui se encontra ilustremente indicado, os blogs assumem, nos dias de hoje, a Praça Pública de Habermas.
Se para este filósofo a praça pública era um lugar de debate e de diálogo, onde o público participava tomando o dom da palavra, pondo a descoberto assuntos de esférica pública, actualmente, e em consequência dos “tempos modernos”, o blog materializou essa função.

Não sei se estou a ser pretensiosa ao fazer esta afirmação, mas é apenas a minha mera e humilde opinião a dar o ar da sua (des)graça.

É preciso ver que hoje em dia as pessoas não debatem sobre os acontecimentos das suas vidas, não trocam informação, não discutem sobre as questões de fundo que dizem respeito ao seu país, ou a qualquer outra temática de índole íntima ou não.

Por desinteresse, por falta de tempo, ou por falta de lugar, esta dialéctica, tão necessária à evolução humana, está extremamente reduzida aos meios de comunicação social e aos seus intervenientes, sejam eles jornalistas, doutores, advogados, políticos, sociólogos, economistas, etc...

Antes de continuar, e por falar em meios de comunicação social, torna-se aqui necessário fazer uma pequena explanação sobre o seu papel na sociedade actual. Assim sendo, os meios de comunicação social, sejam eles sob a forma escrita, falada ou televisionada, têm como objectivo crasso informar.

Ora, informar, como verbo transitivo, significa dar conhecimento a; noticiar; avisar; esclarecer; instruir, dar parecer sobre; e como verbo reflexo quer dizer colher informações ou notícias; inteirar-se de.

Posto isto, quer-me a mim parecer que os nossos meios de comunicação social afastaram-se deste objectivo, não em função, mas no princípio que os pauta; na medida em que a informação dita noticiosa é trabalhada, transformada de acordo com a óptica de quem tem por responsabilidade produzir uma notícia. Logo, sujeita às mais diversas influências, manipulações e pressões.

Não estou aqui a desfazer na árdua tarefa de ser jornalista, até porque, na maior parte das vezes, são condicionados pelos seus superiores, os quais podem ser vistos como ditadores de tendências de pensamento e/ou opinião, veículos da informação controlada.

Ou seja, e de acordo com a designação deste blog, o pessoal ingere uma série de supostas opiniões, umas boas, outras más; depois desencadeia um desarranjo intestinal que culmina numa bela diarreia, expelida para outros que vão apanhar, desta, o que quiserem.

Logo, é imperioso que os públicos, consumidoras desta “(des)informação”, sejam capazes de fazer a respectiva triagem, de aplicar o seu sentido crítico sobre o percepcionado nos meios de comunicação social, de maneira a formarem opiniões o mais isentas, claras e verdadeiras possível.

É aqui que os blogs entram como meio de discussão e de debate de opiniões, pois permitem, independentemente da sua forma ou temática, trocar ideias, tanto da parte de quem faz um post, como da parte de quem faz um comentário a esse mesmo post.

Nos blogs uma pessoa sente-se inteiramente à vontade, lê e escreve aquilo que bem entende, livre de qualquer pressão seja ela de que natureza for. Um escreve e outro replica, ou não, com a total liberdade que lhe é inerente, possibilidade esta que mais se assemelha à tal Praça Pública de um tal Jurgen Habermas.

Bloguistas, os que publicam e os que comentam, ou só lêem, há que parar de ingerir diuréticos, cada vez que nos sentimos presos. Lutem por se dirigirem à casa-de-banho de uma forma solta e desinibida, dêem azo a uma verdadeira soltura intestinal, desprovida de ajudas/influências externas; pois o acto de pensar e opinar não é mais que uma cagadela bem feita, o expelir de cagalhões despreocupados de foro olfactivo, auditivo, ou de textura, porque soltar é preciso :)

terça-feira, janeiro 04, 2005

Que Merda!

Perdoem-me o plagiato, mas este texto é realmente digno de figurar nesta nossa humilde latrina.
Uma prova de que além fronteiras também se faz merda de grande qualidade.
Deixo-vos ao deleite:
Estudos e Pesquisas sobre
"A Merda"
por Dr. Big Merda
A merda é um grande mistério. Contemplo agora este pedaço
de mim, boiando sobre as águas calmas do vaso sanitário, e medito: decifra-me, ou
te devoro! A merda está ligada a mim e estou ligado a ela desde o começo de minha
vida. Nem um só dia passei sem ela ou ela deixou de passar através de mim. E isso
me leva à conclusão de que não há solidão, quando há um merda por perto.

Biodiversidade
Assim como os gaúchos, as merdas também são diferentes entre si, com a vantagem
de que não existe merda boiola. As bostas podem ser divididas em várias categorias.
Então, como dizia Jack o Estripador, vamos por partes:
Cor:
As merdas são como os camaleões: mudam de cor,conforme as circunstâncias. Com
a vantagem de que não andam pelas paredes, a menos que se cague no ventilador.
O arco-íris da merda começa com aquele marrom clarinho, quase amarelo. É uma
merda pálida, cor de palha, e combina com cuecas e papel higiênico de tom pastel.
Depois vem um marrom desbotado pouco firme. É o tom intermediário entre o palha
e o marrom cocô. Este sim, é o tom clássico da merda universal. Na roupa, no carro,
na gravata ou no papel de presente, o marrom cocô é inconfundível.
Carregando um pouco mais no tom, vem o marrom queimado, tipo moreno jambo e um
pouco mais acima vem o preto total, aquela merda que costuma grudar na pele, na
privada, no papel e - algumas vezes - debaixo da unha.
Há também algumas variações interessantes, como a merda com passas e a merda
com milho verde. Parece um panetone. A base costuma ser o marrom desbotado, com
apliques de pontos pretos ou amarelos, dependendo do gosto de quem caga. As merdas
híbridas são raras e nunca se registrou nenhum caso de merdas listradas.
Por fim, vem a merda nacional. É uma massa incomum e apresenta um tom verde e
amarelo. Normalmente aparece durante o horário eleitoral gratuito, na TV.
Consistência: A merda, assim com os peitinhos das garotas, diferenciam-se também
pela consistência. Prá você que é burro ou tomou recuperação, consistência
significa concordância aproximada entre os resultados de várias medições de uma
mesma quantidade. Em suma, as merdas podem ser sólidas, líquidas ou gasosas.
Sólidas: dividem-se em duras, moles e médias, assim como as escovas de dente.
As moles são aquelas que você caga e nem sente. Escorrem como um carinho. Já as
médias requerem algum esforço mas, em compensação, não são como as duras, que além
de exigir muita veia estufada no pescoço, ainda nos lançam num dilema atroz: se
parar prá respirar ela sai ou volta ?
Líquidas: estas são líquidas e certas e aparecem durante as caganeiras.
Praticamente mija-se pelo rabo. São tão rápidas e eficazes que sempre nos
surpreendem. Você pensa que só peidou e quando olha, o vaso está cheio de merda!
Gasosas: são os famosos peidos. Engana-se quem acha que peido é peido. Assim
como o vapor é a consubstanciação da água, o peido é a evaporação da merda.
Comportamento: As merdas são imprevisíveis! Assim como as mulheres, não é possível
prever o comportamento das merdas. Se você acha que vai peidar, acaba se cagando
todo. Outras vezes, tem plena convicção que deseja cagar e então, só peida. É um
paradoxo. Os comportamentos mais comuns da merda são:
MERDA Bombardeio: Cai rápida e direta sobre o alvo, fazendo "glub". Espirra
água na bunda.
MERDA Granada: Espalha-se pela parede do vaso, como estilhaços. Costuma resistir a
várias descargas. Normalmente só é removível com aquela escova fedorenta que sua
mãe deixa atrás do bidê.
Falsa Merda: Dá a impressão de que vai rasgar o toba. Quando sai, é só um
cocozinho.
Merda Crocodilo: Fica boiando na água, com as costas de fora.
Merda Titanic: Vai direto para o fundo.
Merda Submarino: Fica a meia profundidade. Às vezes sobe, às vezes desce.
Merda Loch Ness: Fica com uma ponta prá fora e o rabinho prá dentro d’água.
Merda Tímida: Mergulha e some pelo encanamento.
Merda Chata: Aquela que resiste a várias descargas.
Merda Inconveniente: Sempre vem fora de hora.
Merda Compreensiva: Espera você chegar em casa.
Merda Dalai Lama: Transforma-se em peido e sobe até o Tibet.
Merda Fujona: Cai fora da água, dentro do vaso, e fica te olhando.
Merda Dolly: É presa num vidrinho e mandada para o laboratório.
Cheiro: Cheiro de Merda é como mulher feia. Com o tempo a gente se acostuma.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

CAGANEIRAS FESTIVAS

Como não podia deixar de ser, tinha de aqui vir desejar umas boas festas a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, estão próximos deste blog.

No entanto, e como já estou um bicadito atrasada, pois o Natal já lá vai, cabe agora desejar umas boas entradas, regadas com os devidos comes e bebes.

E por falar em comes e bebes... esta é uma altura em que todos aqueles, que comemoram esta época como manda a tradição, têm, em simultâneo com o espírito próprio de que se veste o momento, aquela sensação de enfartados, de completamente empanturrados até mais não.

Todavia, parece que há sempre lugar para mais um, isto é, para mais um pedacinho de comida, seja ele mais uma fatia de bolo rei, mais uma filhós, uma rabanada, um sonho... e depois de toda esta ingestão, pimba na casa-de-banho. Ir ao respectivo buraco sanitário e efectuar a devida e tão desejada descarga, para posteriormente enfardar mais um pouco. Uma alternância entre o come, bebe e casa-de-banho, bebe, come e casa-de-banho, ou, ainda, casa-de-banho, come e bebe, e casa-de-banho, bebe e come. Um verdadeiro trio inseparável.

Esta é uma época de paz, de renovação, de amor, mas não só, é também de sais de frutos, de elixires e laxantes :) Há que purgar toda esta comida, há k exorcizar o corpo de todo este combustível, algum, claro está, em excesso por força das circuntâncias.

E, já agora, quero aqui fazer um apelo para que façam um balanço do ano que vai terminar, tracem objectivos para o novo ano que vai entrar e tentem alcançá-los de todo o coração. FELIZ ANO NOVO.

sábado, novembro 20, 2004

Simbiose Lisboeta

Saudações.
Mal terminei de postar a quadra abaixo, a estranha comparação gás/animal fez-me recordar que ainda não foi feita qualquer referência neste blog ao mais útil e poético animal da cidade de Lisboa. Não podia estar a falar senão da tainha.
Não vou aqui consumir espaço útil com linhas de descrição pormenorizada sobre o magnífico animal, mas deixo link para os mais interessados ou para os desconhecedores: http://www.zuca.online.pt/tainha.html
Um ser vivo que escolhe como habitat natural o rio Tejo, disfrutando da mistura de água doce e salgada, que se dá ao luxo de poder apreciar o contraste entre o mar e a foz do rio, a beleza do pôr do sol por detrás da ponte 25 de Abril, tendo com o painel de fundo esta magnífica cidade, já de si é digno de reconhecimento e admiração. Mas aos olhos de um poeta de casa de banho treinado, de entre as várias qualidades desta esplêndida espécie, sobressai a mais útil para a humanidade: a tainha é o maior reciclador de merda do nosso país. Ora um poeta cagadoiro que se preze não se fica pela cagadela filosofal e o consequente fervilhar de ideias, não restringe o acto de pensar ao cubículo forrado a ladrilhos vidrados. Jamais pode deixar passar esta relação simbiótica sem fazer a devida apreciação.
O homem caga, a tainha come.
Uma relação simples de toma lá dá cá, mas que nos permite passear pela Baixa Pombalina e proximidades do rio sem um cheiro a merda que não se pode. Quais ETARes qual quê, se não fosse a tainha tínhamos cagalhões sem conta de toda a zona central de Lisboa, Almada, Barreiro e Seixal abandonados à sorte nas águas fluviais, num lamaçal excremental que provavelmente chegava a Sines(que já cheira mal o suficiente mesmo sem dejectos a boiar).
Por isso acho que está na altura de fundar a Associação Nacional de Amigos da Tainha, com fim a salvaguardar a saúde pública e o bem estar social defendendo este belo ser que compartilha a pátria com todos nós. Mulheres, homens, jovens, idosos, gente deste meu Portugal, juntem-se a nós e à ANAT, ajudem-nos a defender a fauna e a saúde de Portugal! Defendam a tainha!

Diferença Entre Pombos e Peidos

Os peidos saem do cu,
Os pombos dos pombais.
Os pombos vão e voltam,
Os peidos não voltam mais.

segunda-feira, outubro 25, 2004

CORRERIA DO DIA A DIA

Olhando atentamente para o dia a dia da nossa sociedade, deparamo-nos com o ritmo frenético a que o mesmo se desenrola. Todos os dias, homens e mulheres, vivem o seu quotidiano a correr.
Ele é acordar à última da hora, ele é correr para o emprego/escola, ele é correr para almoçar, ele é correr para ir levar/buscar os filhos, ele é correr para fazer o jantar... Enfim, sempre a correr.
Posto isto, cabe aqui perguntar se, no meio de tanta correria, as pessoas têm tempo para dar a bela da cagadela diária? Será que quando o intestino aperta as pessoas aguentam-se porque "agora não posso porque já tou atrasado(a) para..."? Ou será que também correm para a casa-de-banho e cagam a correr?
Ora, se as pessoas, por causa da suposta falta de tempo, são capazes de cagar para o que é realmente importante nas suas vidas, mais facilmente são capazes de cagar para o prazer de obrar de uma forma relaxada e monumental.
Dar-se ao prazer empírico de fazer uma cagada bem-feita, requer tempo e paciência. Não é que se fique na sanita por tempo indeterminado, mas o desejo intestinal requer calma e descontracção, uma entrega à verdadeira arte de obrar.
Por conseguinte, um verdadeiro amante do bem cagar não se pode conformar com uma rápida ida ao WC, um obreiro de renome leva a sério a sua necessidade de defecar e, como tal, dedica-se ao expelir dos seus dejectos com calma e sem pressas. Tal dedicação pode implicar o recurso a utensílios de apoio, como é o caso da leitura da imprensa, de uma bela banda desenhada, ou, até mesmo, da feitura de palavras-cruzadas, ou dos chamados mini-jogos de trazer no bolso.
Desengane-se aquele que pensar que a estada na casa-de-banho para evacuar é afectada p'la utilização do mais diverso material lúdico, p'lo contrário. Deve ser antes entendido, como um material de apoio, de ajuda ao relax e à descontracção, tão necessários ao sucesso da cagadela. Um belo dejecto deve estar livre da pressão e do stress diários. Ou, qualquer dia, vamos ver o nosso prezado intestino a ir às consultas de um tal psicointestinal, ou a fazer terapia defecal.
E por aqui me fico, com o desejo de melhores cagadelas futuras.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Caguemo-nos Todos

Em Portugal, entre todos os produtos farmacológicos disponíveis no mercado, dos que mais primam pela falta de vendas e cujos adeptos são a mais escassa minoria da nossa população, destacam-se com larga vantagem os medicamentos anti flatulência.
Já está mais que comprovado: o Português orgulha-se do seu peido.
Não há nada mais satisfatório para o típico macho latino que romper o silêncio público com um farto e estrondoso traque, daqueles que fazem o mais duro dos homens ficar com os cabelos do peito em pé e as unhas dos pés encaracoladas só com o cheiro, que fazem as donzelas desmaiar e estalam o mais forte dos estuques da parede.
Sim, porque a alimentação mediterrânica potencia o cheiro do flato. Não há pessoa que liberte os mais inodoros peidos, que depois de uma bela feijoada à portuguesa não se torne numa autêntica arma química digna de figurar nos compêndios do armamento nuclear do Saddam Hussein.
Mas para bem nos narizes mais sensíveis o macho latino está em franca extinção. Já é raro o bigode farfalhudo, a camisa ao xadrez a revelar a espessa camada de pêlo peitoral, e meus amigos, já só raros espécimes mais idosos exibem a famosa unha do dedo mindinho de proporções desmarcadas e de multifacetadas funções.
A camada mais jovem ganhou pudor à ventosidade, não há nada a fazer. Só muito de quando em vez se vê alguém com aquele ar aliviado tão comum outrora, aquele sorriso satisfeito de quem acabou de purgar a parte podre de si, e se orgulha por isso.
Mulheres e homens da minha pátria, saiam das trevas, peidem-se despreocupadamente. Lutem pelos vossos direitos!
Vote-se em referendo a liberalização e promoção do peido português! O pudor sobe em Portugal? E então? Não existem casas de chuto para os toxicodependentes? Que se construam casas de traque, onde a população se possa cagar em público, sem timidez, sem vergonha, sem renegar a verdadeira essência do povo Lusitano! Promova-se a arte de bem e frequentemente traquejar, ajudando Portugal a manter a boa saúde intestinal! Não abafem a voz do cu! Acabem com os esforçados e baixos ronronar flatulentos, e soltem o legítimo e despreocupado rugir leonino que há em vós! Mas cuidado com o entusiasmo, não vá dar molho...
Saudações excrementais.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Porque tudo é uma Caverna de Platão!!!

Neste espaço de ideias defecantes, repositório de caganitas (des)pensadoras, e na sequência dos (des)eventos que têm tomado conta da nossa televisão, saltam-me à cabeça uma série de ideias assustadoras, verdadeiras cenas de um filme de terror merdoso apocalíptico...

  • 1. Será que o mundo ‘tá tão atolado de merda que agora já se matam filhos por dá aquela palha?
  • 2. Será que não há nada mais interessante do que ver as figuras cagonas de um tal white-castle a cirandar numa tal quinta das celebridades? – que celebridades, pergunto eu?...
  • 3. Será que tem tudo os olhos ofuscados de tanta merda que não consegue ver a razão primordial do que um tal Marcelo Rebelo de Sousa fez ao afastar-se dos seus doutos comentários semanais na TVI?
  • 4. Será que os supostos (des)jogadores de futebol, da nossa tão estimada (des)selecção, não conseguem levantar-se da merda, onde se têm enterrado vezes sem conta, para ultrapassar uma suposta caganita de uma selecção do Liechtenstein, em que o goleador é bancário de profissão?
  • 5. Será que alguém, no seu perfeito juízo defecal, “engole” as caganeiras televisivas do “nosso” Primeiro-ministro? - Algo só comparável às “célebres” conversas de Salazar, ao fim do dia, no único canal televisivo de então...

Oh meus amigos, acho que vamos ter de (re)pensar seriamente o estado das ETAR’s em Portugal... pois o tratamento dos nossos dejectos residuais não está a ser feito da melhor forma... já que a merda continua a transbordar descontroladamente e a rodear-nos por todos os lados e em todos os quadrantes... ele é na política, ele é no social, ele é na economia, na educação, na saúde, no futebol... SOCORRO, alguém que puxe o autoclismo como deve de ser!!! Alguém que saque do WC Pato (perdão pla publicidade) e limpe toda esta merda onde nos encontramos!!! Irra que anda tudo numa monumental diarreia :(

A todos aqueles que têm o intestino afinado e que não se deixam apanhar pla merda circundante, cumprimentos cagadoiros, com especial atenção para o nosso mentor, não mestre.

domingo, outubro 10, 2004

Uma Sanita Pública é Uma Caverna de Platão.

Mais uma vez enalteço um comentário deixado à minha pessoa, (um abraço para o Nosfet) e publico o texto sugerido. Deveras uma pérola literária, que terei o máximo gosto em incluir neste nosso cagatório público de ideias. São contribuições como esta que ajudam a lapidar o grande diamante em bruto que é a filosofia excremental, e solidificam este blog unificando a classe cagadoira deste país. Os meus mais sinceros agradecimentos.

A sanita de Platão- Bizantina, meu caro, tanto que esquecerá a sua pertença a este lugar.

O homem falava da sanita da casa de banho do terceiro restaurante da terceira rua da terceira aldeia, mais ilustre que a comida que à mesa nos dispunham, após cuidadoso pedido, após alongada reflexão sobre a carta.

- Melhor que o cafezinho que servem depois de duas postas à mirandesa insabidas, é mesmo uma longa cagadela na mais ilustre louça nacional.
Deixei o cavalheiro afastar-se, gargalhando após o serviço de informação que me havia prestado. Já antes ouvira sobre a sanita do estabelecimento onde presentemente me encontrava. Vale bem o sacrifício de lá ter de ingerir uma refeição, diziam nas esquinas e nos bancos de jardim. Pois melhor será ir comer a outro lado e ir lá cagar, pensei a dada altura, mas a política da casa de restauração é clara, como posteriormente verifiquei, só javarda as suas louças quem se deixar javardar pela sua cozinha, algo semelhante a um consumo mínimo, compreensível resolução de gestão, há que rentabilizar a atracção, no presente caso trata-se de uma sanita, mas podia bem ser uma selecção de futebol por detrás de um vidro, ou um poeta pendurado pelas pernas, ou um gato de botas. Entre toda a reflexão descrita nas anteriores linhas, tive ainda oportunidade de observar que o homem, de cara rasgada num sorriso de aliviada satisfação, se afastara sem lavar as mãos. É um sonho, garanto-lhe, um sonho, afirmou com palavras roucas antes de desaparecer na dobra de uma coluna de cimento.

Hesitei, não me envergonho de o admitir. Funguei uma lufada de ar, não era desagradável, tendo em conta. Empurrei lentamente a porta de madeira, o compartimento era pequeno, o papel higiénico pousado sobre a coluna de água, a coluna de água da sanita. Confesso, amigos, que nunca em toda a minha vida vi coisa assim. Deslumbrado, sem palavras que possibilitassem a justa descrição daquilo que presenciava, ergui a tampa de louça que protege o bordo de louça, ergui o bordo de louça que protege o bordo da sanita, e então ficamos eu ali e ela ali, convidativa, hipnotizante, onírica, belisquei-me. Prontamente arreei as calças e acomodei as nádegas na indescritível suavidade da louça daquela cagadeira. Os olhos marejaram-se-me com o salgado líquido do qual são compostas as lágrimas, tudo à volta diluiu-se numa névoa branca e esponjosa, a porta com frases como, faço mamadas, e, procuro gay simpático e bem dotado, desvaneceu-se, o tecto esboicelado esfumou-se, as paredes sujas de marcas de dedos castanhas submergiram no tecido que compõe os sonhos. Até que uma voz, à qual não fui capaz de associar um sexo, falou-me do compartimento contíguo,

- Onde está sentado? No bordo de louça ou no próprio bordo da sanita?
Respondi,
- No bordo da própria sanita.Disse-me,
- E os motivos pelos quais fez o que fez?
Respondi,
- Sempre me disse o meu pai, quando fora de casa, senta-te no bordo da própria sanita, pois as outras pessoas sentam-se no bordo anterior, amovível, supostamente protector, e as outras pessoas não as conheces tu, as outras pessoas não sabes tu que género de bichos, bactérias e parasitas carregam nas nádegas.
Ouviu-se um grunhido e o som de algo a chapinhar na água.
Disse-me,
- Pois também isso me disse o meu pai, tal como lhe disse o seu pai antes dele, meu avô, tal como lhe disse o seu pai antes dele, avô do primeiro, meu bisavô. Julgo que a genealogia deste conceito remete para as raízes mais profundas da higiene em retretes públicas. Sabe onde se encontram as minhas nádegas acomodadas, neste preciso momento?
Respondi,
- Não.Disse-me,
- No bordo da sanita, tal como toda a gente faz, para se proteger dos bichos, bactérias e parasitas dos outros, aqueles que não sabemos quem são. Ora, se todos nos protegemos do mesmo modo, que pode concluir?

Estremeci. A minha busca por segurança era a busca da Humanidade, e no seu conjunto tinham todos encontrado somente a perdição. Os meus gestos eram os gestos do mundo, todo o mundo estava sentado naquele pedaço de louça oval, todas as nádegas que já existiram, existem e existirão. Ergui-me de um ímpeto. Arranhei um pedaço de papel no extremo do recto, subi as calças e saí.
Levava o cu da Humanidade no meu cu. Uma sanita pública é uma caverna de Platão.

in O Quarto do Pulha por Leandro Ribeiro